Pedro Almodóvar


Por Houldine Nascimento

Pedro Almodóvar Caballero é um dos realizadores mais talentosos e premiados do cinema espanhol. Diretor mais prestigiado de sua terra desde Luís Buñuel e Carlos Saura, nasceu em 24 de setembro de 1949, na cidade de Calzada de Calatrava, sul da Espanha. Seus filmes trazem sempre grandes histórias, movidas por paixão e ódio, tratadas de forma sublime e que envolvem os espectadores. Os cenários e figurinos de suas obras se assemelham a pinturas fauvistas, com cores vivas, fortes. É também um notável roteirista. Homossexual assumido, seus trabalhos mostram vez ou outra essa temática.

Nessa semana**, entra em cartaz seu novo longa, “A pele que habito”, marcando o retorno de Antonio Banderas a uma de suas fitas (a última em que trabalharam juntos foi “Ata-me”, 1990). Resolvi elaborar uma lista, fazendo um panorama de seus cinco maiores filmes.

5 – Volver (2006) Cotação: ***1/2

Protagonizado pela bela e talentosa Penélope Cruz, este drama conta a história de Raimunda, uma dona de casa que perde o marido em circunstância estranha e depois vê o regresso de sua mãe, Irene (Carmen Maura, depois de quase duas décadas sem ser dirigida por Pedro), quem pensava estar morta.

Por esse papel, Penélope foi indicada ao Oscar, Globo de Ouro e BAFTA de melhor atriz, além de ter vencido Cannes – junto com Carmen, Lola Dueñas, Blanca Portillo, Yohana Cobo e Chus Lampreave, suas companheiras de filme.

4 – Mulheres à beira de um ataque de nervos (1988) Cotação: ****

Única comédia desta lista. Trata de uma mulher chamada Pepa (Carmen Maura), uma dubladora de filmes que descobre estar grávida, indo à busca de Iván (Fernando Guillén), que rompeu com ela há pouco tempo, para lhe revelar que é o pai.

É cheio de reviravoltas. Carmen, atriz favorita do diretor nos anos 80, está soberba, realizando uma interpretação estupenda. É interessante observarmos como as mulheres demonstram força e têm destaque nas fitas de Almodóvar. Nesta, assim como em “Volver”, elas dominam.

3 – Carne trêmula (1997) Cotação: ****1/2

Inspirado em um romance homônimo da escritora britânica Ruth Rendell. Somos conduzidos à vida de Victor (Liberto Rabel), um jovem que havia perdido a virgindade com uma prostituta, Helena (Francesca Neri). Uma semana depois, eles se encontram e têm uma discussão. Os policiais David (Javier Bardem) e Sancho (José Sancho) são acionados e o primeiro acaba ferido na coluna vertebral. Victor é detido e fica encarcerado por sete anos. Quando sai da prisão, a vida de todos sofre grande mudança.

Uma trama complexa e que se encarrega em abordar uma temática difícil: sexo, amor, crime, traição, morte. Em Carne trêmula, Almodóvar comprova dominar todas as técnicas narrativas do cinema.

2 – Tudo sobre minha mãe (1999) Cotação: *****

Aqui, Pedro nos apresenta Manuela (Cecília Roth), uma enfermeira que dedicou grande parte de sua vida a Esteban (Eloy Azorín), seu filho e que nunca conheceu o pai. Ela sempre fez questão de não revelar qual era a identidade do pai do menino, um transexual chamado Lola (Toni Cantó). Esteban chega a elaborar um roteiro intitulado “Todo sobre mi madre”. No dia de seu aniversário, ele e Manuela vão ao teatro ver uma peça. Após o término do espetáculo, Esteban segue em busca de um autógrafo da atriz principal, Huma Rojo (Marisa Paredes), na rua e morre ali mesmo. Diante disso, sua madre parte ao encontro de Lola para revelar o que aconteceu.

Graças a Tudo sobre minha mãe, Almodóvar recebeu o Oscar de melhor filme estrangeiro. Nesta fita, traz temas complexos – o que é uma marca do realizador – como travestismo, AIDS e identidade sexual. A fotografia é do brasileiro Affonso Beato, com quem trabalhou em “Carne Trêmula” e “A flor do meu segredo”.

1 – Fale com ela (2002) Cotação: *****

Conhecemos a história de dois cais: Marco e Lydia; Benigno e Alicia. Lydia (Rosario Flores) é uma toureira respeitada e, certo dia, se envolve com Marco (Darío Grandinette). Em uma de suas apresentações, Lydia é atingida por um touro e acaba entrando em coma.

Benigno (Javier Cámara), um enfermeiro que mora em frente a uma academia de balé, se apaixona por uma aluna, Alicia (Leonor Watling). Ela sofre um acidente, também fica em coma e sob os cuidados dele. A vida destes quatro personagens se cruza.

É a obra-prima de Pedro Almodóvar. Este, sem dúvida, é o seu trabalho mais delicado, transcendendo os anteriores. Por Fale com ela, venceu o Oscar de melhor roteiro original e se tornou o primeiro espanhol – e até hoje o único – a ser nomeado à categoria de direção na premiação estadunidense.

Uma curiosidade: há, ainda, uma belíssima participação de Caetano Veloso, ao lado do violoncelista Jacques Morelembaum, interpretando a célebre canção “Cucurrucucú Paloma”.

*Esse artigo foi escrito originalmente em espanhol.
**A estreia de “A pele que habito” nos cinemas do Brasil foi transferida para 4 de novembro

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