Deserto Feliz

(Brasil, 2007) ***
Drama, 88 min. Direção: Paulo Caldas. Com: Nash Laila, Hermila Guedes, Magdale Alves, Peter Ketnath, João Miguel, Zezé Motta e Servílio de Holanda.

Demorou alguns anos para que Paulo Caldas decidisse realizar mais um longa de ficção. O cineasta paraibano é lembrado até hoje pelo enorme sucesso obtido em 1997 com “Baile Perfumado”, filme que dirigiu com Lírio Ferreira e se tornou um clássico do cinema brasileiro contemporâneo. Em 2000, chegou, ainda, a realizar um documentário: O Rap do Pequeno Príncipe contra as Almas Sebosas.

Nesta nova fita, narrada em flashback e que conta exclusivamente com sua direção, trouxe o submundo da prostituição. A heroína é Jéssica (Nash Laila), uma garota de 15 anos que vive numa cidadezinha próxima a Petrolina chamada Deserto Feliz. O filme é dividido claramente em três partes, embora nunca se use letreiro para delimitar: Sertão, Recife, Europa. Após ser violentada pelo padrasto (Servílio), ela decide ir para a capital pernambucana, onde acaba fazendo parte do turismo sexual e entrando em contato com drogas.

Lá, divide um apartamento (no famigerado Holiday) com outras duas prostitutas, uma delas é Pâmela, interpretada por Hermila Guedes (“Céu de Suely”). Numa de suas ações, Jéssica conhece Mark (Peter Ketnath, de “Cinema, Aspirinas e Urubus”), um alemão que cria uma relação de afeto com ela e a leva para o seu país. No desenrolar das situações, a menina vive a cantarolar uma música de brega que fala de amor, como um escape a tudo aquilo que sucede.

Paulo Caldas executa algumas experimentações com movimentos de câmera ousados. Não há dúvida de que é uma história triste, em que o diretor busca denunciar a exploração sexual a que muitas menores de idade se submetem, mas, pelo desfecho, traz uma mensagem de esperança, mostrando que é possível sair, largar essa situação. Caldas também abre espaço para denunciar o tráfico de animais através dos personagens de João Miguel e Servílio de Holanda.

Deserto Feliz não parece ter sido feito com a mesma paixão de Baile Perfumado, pois é conduzido com uma certa frieza, além do fato de que os personagens não são tão desenvolvidos como deveria. Trata-se de uma fita direcionada a um público mais restrito. Contudo, não deixa de ser um bom filme.

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