Cavalo de Guerra

War Horse (EUA, 2012). Cotação: ***
Aventura, 146 min. Direção: Steven Spielberg. Com Jeremy Irvine, Peter Mullan, Emily Watson, Niels Arestrup, Tom Hiddleston.

Por Houldine Nascimento

“Tubarão”, “Contatos Imediatos de Terceiro Grau”, “E.T.” e “A Lista de Schindler” são grandes filmes. Se Steven Spielberg tivesse realizado apenas estes quatro, isso já seria suficiente para alçá-lo à condição de um dos maiores cineastas do século XX. Mas, não satisfeito, Spielberg também dirigiu outras obras de valor como “A Cor Púrpura”, “Prenda-me se for capaz”, “Munique”, além de ter criado as sagas de Indiana Jones (junto com o amigo George Lucas) e do Parque dos Dinossauros. Não há dúvida de sua importância.

Como se sabe, sua nova empreitada é Cavalo de Guerra, história vinda de um livro infanto-juvenil de Michael Morpurgo, publicado em 1982. No entanto, o que despertou o interesse de Spielberg foi uma peça britânica de 2007, que se baseava na publicação e atingiu enorme sucesso. Vendo o caráter imagético da obra, tratou de adaptá-la.

Fundamentalmente, é sobre uma amizade entre Joey, um cavalo puro-sangue, e o jovem Albert (o estreante Jeremy Irvine), dias antes de a Primeira Guerra Mundial ter início, numa cidadela inglesa chamada Devon. Joey vai parar na fazenda de Albert depois que o seu pai, Ted (Peter Mullan), o comprou em um leilão após uma disputa com um senhorio. Isso preocupa a mãe (Emily Watson), pois com o alto preço pago pelo cavalo, a família encontra dificuldade para quitar o aluguel e se vê obrigada a realizar uma colheita. Mas como, se não há um animal especializado nisso?

Albert trata de treiná-lo para fazer o serviço. Não adianta muito e o cavalo acaba vendido para um oficial do exército britânico (o competente Tom Hiddleston). A partir disso, Joey passará a ser testemunha ocular de uma guerra. Transitando pelo campo de batalha alemão, conhecendo dois jovens desertores e até mesmo fazendo companhia a uma garotinha (a revelação Celine Buckens) e ao seu avô (o francês Niels Arestrup, de “O Profeta”). Os anos da Primeira Guerra são percorridos e o garoto não esquece o velho amigo. O amor é tanto que decide servir às forças armadas de seu país, na esperança de reencontrar Joey.

O velho Spielberg é conhecido pelo sentimentalismo exacerbado. E o que é uma de suas marcas, não fica ausente aqui. Ele carrega o filme de um tom melodramático e que se torna uma forma apelativa de envolver o espectador (é improvável não se comover na cena em que o cavalo fica preso por arames). O principal problema reside na maneira com que se conduz a história.

Não há como negar o preciosismo técnico. O visual de “Cavalo de Guerra” é espetacular, no que é a colaboração do fotógrafo habitual, Janusz Kaminski, e reverencia a era de ouro hollywoodiana. É preciso também reconhecer a competência de Steve na simulação das cenas de guerra, algo que havia mostrado muito bem em “O Resgate do Soldado Ryan”. Na hesitação dos combatentes ingleses nas trincheiras, ele executa uma homenagem a Stanley Kubrick, em particular a “Glória Feita de Sangue”.

Contudo, apesar dos artifícios de apelar à emoção e de sequências graciosas, o filme é um tanto disperso, não conseguindo prender como deveria a atenção. Talvez houvesse uma objetividade maior e fossem cortados vários minutos de gordura, ajudasse a criar maior empatia. E a escolha de Irvine para fazer esse jovem se faz precipitada pelo seu desempenho vacilante.

“Cavalo de Guerra” não é uma nova obra-prima (e está longe de ser). Steven Spielberg merece respeito por tudo o que fez, mas dizer que este é um grande filme é querer se iludir. Esperemos para ver seu debute na animação “As aventuras de Tintim”.

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