Febre do Rato

(Brasil, 2012). Drama, 90 min.
Direção: Cláudio Assis. Roteiro: Hilton Lacerda. Com: Irandhir Santos, Nanda Costa, Matheus Nachtergaele, Juliano Cazarré, Vitor Araújo, Mariana Nunes.

Não dá para falar do cinema pernambucano atual sem pensar em Cláudio Assis. O diretor caruaruense, dos premiados “Amarelo Manga” e “Baixio das Bestas”, sempre leva às telonas temas ousados e, obviamente, polêmicos. Em seu terceiro longa-metragem, Febre do Rato, trouxe uma história mais palatável, sem deixar de lado suas inquietudes.

Essa “brandura” está evidente na figura de Zizo (estupenda interpretação de Irandhir Santos), um poeta marginal recifense que possui um periódico intitulado “A Febre do Rato”. A expressão é conhecida da população local e serve ainda para evidenciar todo o anarquismo do poeta, sua voracidade.

Ele nutre um peculiar gosto por mulheres de idade avançada, transando com elas em seu tanque. Também costuma declamar suas poesias para os amigos em diversas ocasiões. Certo dia, Zizo conhece Eneida (Nanda Costa), uma bela jovem que desperta sua atenção. O poeta cria uma espécie de devoção por ela e não vai sossegar até conquistá-la.

Paralela a essa situação, conhecemos personagens divertidos e suas histórias. O vai-e-vem da relação entre o coveiro Pazinho (um sereno Matheus Nachtergaele) e sua parceira. E a turma da construção abandonada, Oncinha (o pianista Vitor Araújo), Boca Mole (Juliano Cazarré) e Rosângela (Mariana Nunes).

No dia em que se comemora a Independência do Brasil, Zizo decide realizar um manifesto no centro da cidade. É aí que vem o clímax do filme e todo o som e a fúria do diretor.

Febre do Rato foi aclamado no ano passado, no Festival de Paulínia, quando recebeu oito prêmios, entre eles o de melhor filme, ator – para Irandhir – e atriz – para Nanda.

As poesias são de autoria de Miró, um poeta bem popular em Pernambuco e dão um toque especial ao excelente roteiro de Hilton Lacerda. Há que se louvar a fidelidade dos atores a Cláudio Assis, pois eles se entregam de todas as formas aos seus pedidos, sem medo de expor seus corpos.

Isso criou problemas, sobretudo numa cena rodada na Rua da Aurora, onde a polícia interveio. “Estava tudo certo, pagamos tudo o que era preciso e não ganhamos nenhum centavo da Prefeitura, nem de nada. Vieram quase dez carros de polícia para prender os dois atores”, revela o diretor.

O personagem central se confunde com o próprio Assis – que é poeta por excelência, sempre entregando obras com paixão. Ele é bastante corajoso ao escolher, em conjunto com o diretor de fotografia Walter Carvalho, rodar em preto e branco, e isso faz do filme um primor ainda maior.

A fita é mais que uma declaração de amor ao Recife (ou um “beijo na boca”, como prefere o diretor), o que já seria grande coisa. É um hino à liberdade, seja ela qual for, política ou sexual.

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Uma resposta em “Febre do Rato

  1. Engana-se quem pensa que Matheus Nachtergaele esteja realmente sumido. Não sei se conseguirei ver o filme tão cedo, mas é ótimo ver um elenco como esse em plena atividade.

    Abraços!

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