A Imagem que falta

Houldine Nascimento

O documentário A Imagem que falta (L’image manquante, 2014) representa o Camboja no Oscar de filme estrangeiro. O cineasta Rithy Panh volta a uma época dolorosa de sua vida, entre os anos de 1975 e 1979, quando o País passou a ser chamado Kampuchéa Democrática, sob comando do duro regime do Khmer Vermelho. Ele reconstitui de forma criativa o período, através de bonecos esculpidos.

Naquele momento, mais de dois milhões de pessoas foram dizimadas durante a gestão do ditador Pol Pot. Crianças eram recrutadas para trabalhar nos arrozais da nação em troca de uma xícara de arroz a cada dois dias. Os resquícios tecnológicos também foram destruídos e a classe artística quase toda eliminada. Os registros que sobraram são versões oficiais, com filmagens realizadas do jeito que o Khmer queria.

O filme é narrado em primeira pessoa e também traz algumas imagens de arquivo. As situações são representadas de acordo com a memória de Panh, que perdeu os familiares devido à fome que atingiu os cambojanos, indo de encontro à propaganda oficial, que insistia em mostrar um lugar próspero, onde os habitantes eram felizes.

A carreira deste realizador está destinada a contar as atrocidades cometidas pelo Khmer Vermelho. Já no primeiro longa-metragem, Camboja – Entre Guerra e Paz (1991), isso fica evidente. A Imagem que falta é uma obra engajada e necessária, na qual o espectador se sensibiliza com o que é relatado.

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